Passear pelo seu centro histórico nos leva ao século XIX; uma época de riqueza e excessos, de escravos, diamantes e, sobretudo, borracha.

Falamos de Manaus, a capital do estado brasileiro do Amazonas; uma cidade com quase quatro séculos de história cujo período mais importante se concentra na época da chamada Febre da Borracha, à qual esta urbe, hoje uma das mais turísticas do Brasil, deve seu rápido desenvolvimento.

Sua invejável e estratégica localização, na confluência do rio Negro com o Amazonas, teve um papel fundamental no processo de transformação daquele pequeno forte português nessa cidade que não demoraria a ser conhecida como “a Paris dos trópicos”. Mas não seria até o século XIX quando Manaus atingiria seu máximo apogeu, tanto para as coisas boas como para as ruins.

Quem melhor descreve essa passagem é Alberto Vázquez-Figueroa. Durante sua primeira viagem à cidade brasileira, o escritor espanhol conheceria Arquimedes da Costa, apelidado “o Nordestino”. Foram suas próprias palavras as que inspirariam a bem-sucedida “Manaos”, convertendo-se ele mesmo, junto ao índio “Ramiro Poco-poco”, “El Gringo” e sua amante Claudia, nos principais protagonistas deste romance que nos leva ao epicentro da cobiça colonial, essa Manaus em que escapar parece impossível.

Aqueles tempos já passaram, porém ainda podemos deixar-nos surpreender pela magia desta cidade portuária que, entre as modernas construções que correspondem a uma metrópole de nossa época, ainda esconde verdadeiras jóias da arquitetura colonial; algumas magnificamente restauradas; outras, em tal estado de decadência que parece que vão desmoronar de uma hora para outra. Todas com um mesmo sabor.

É o caso do Teatro Amazonas, a Catedral, a Alfândega, o Mercado Municipal, o seu belo porto, declarado Patrimônio Histórico Nacional no ano de 1987. Sem esquecer, evidentemente, os inúmeros edifícios municipais e os palácios dos antigos coronéis, muitos dos quais foram transformados em museus.

Sempre se diz que a leitura permite viajar com a imaginação. Portanto, visitar Manaus com o romance de Vázquez-Figueroa debaixo do braço é viajar duplamente.