“Ao princípio, quis encontrar o Club Buena Vista, na moda durante os anos trinta. Mas em Cuba, quando você faz uma pergunta, obtém dez respostas diferentes. Nunca encontrei o lugar, mas acredito ter aproximado sua alma de mim”. Isto é o que comentava Wim Wenders a propósito de seu premiado documentário Buena Vista Social Club, uma belíssima peça audiovisual que retrata a história de um país e de uma cidade como Havana, através das vivências de um grupo de músicos que, já octogenários, representavam o mais característico do denominado “som” cubano.

Quando o turista vai visitar Cuba, muitas vezes viaja estimulado por suas grandes praias de água cristalina, por sua exuberância e calidez, por seus prometedores mojitos e seus fantásticos resorts hoteleiros na primeira linha de Praia de Varadero, Trinidad ou Cayo Coco, assim como também pela paz e calma que se respira no ambiente, no entanto, embora esta seja a melhor escolha para nosso alojamento, não devemos deixar de visitar a capital ou qualquer uma de suas cidades para sentir a verdadeira pulsação da ilha.

Passear pelas ruas de Cuba é como retroceder no tempo, embriagar-se com seu colorido característico, com a amabilidade de suas gentes, afastar-se do clássico burburinho da cidade grande e observar como ao seu redor tudo parece mais pausado, como o ritmo se desacelera e até é possível ouvi-lo, entre as ruas, o som de uma música de Compay Segundo.

O famoso clube, que protagoniza o filme, reunia nos anos 40 um seleto grupo de cubanos que só podiam ter acesso ao clube se fossem membros dele, este foi o primeiro lugar destas características onde se permitiu que os cubanos de raça negra pudessem frequentá-lo. Os protagonistas do documentário são alguns dos músicos que, naquela época, tornaram-se populares em seu país interpretando ritmos cubanos que, 50 anos mais tarde, recreariam para este filme e gravariam em um álbum que fez sucesso em todo o mundo e lhes permitiu, inclusive, fazer uma importante turnê musical, que chegaria até mesmo ao Carnegie Hall de Nova York. Atualmente, quase todos eles já faleceram, embora o nome e a atividade do grupo continuem vivos através de figuras da música afro-cubana; contudo isso não será um empecilho, se tivermos a sorte de visitar Cuba e lhes oferecer uma merecida homenagem percorrendo essas ruas que, durante um tempo glorioso na história de Cuba, estiveram cheias de modernidade e musicalidade.