Entre a realidade e a fantasia que brotou da imaginação de um gênio, encontramos as paisagens e povoados da província de Huelva. Esta zona ao sul da Península Ibérica, cuja geografia e costumes Juan Ramón Jiménez descreveu de uma forma magistral em seu romance lírico Platero e Eu, é um lugar para se perder e reviver passagens de uma história que está viva em nossa memória.

Pois quem alguma vez não ocupou o lugar do narrador, acompanhando o cativante burrinho em suas aventuras pela cidade de Moguer? Quem não chorou com o capítulo final, e desejado, como diz o livro, em que Platero no céu nos observa?

Platero e Eu é, sem dúvida, uma das obras mais emblemáticas da literatura espanhola, e lê-la é verdadeiramente um convite para percorrer as paisagens descritas em suas páginas. Se os magníficos lugares naturais, compostos de marismas, serras e praias, não forem motivo suficiente para visitar Huelva, os cenários e povoados relacionados tanto com o romance quanto com o próprio Juan Ramón terminam por nos convencer.

Moguer é um excelente ponto de partida para visitar o Parque Nacional de Doñana, mas também, dentro da própria cidade, encontramos lugares de interesse como seu Castelo ou o Mosteiro de Santa Clara. Três das casas que foram habitadas pelo escritor ao longo de sua vida, entre elas sua casa natal, foram declaradas Bem de Interesse Cultural e transformadas em museus. Como curiosidade, o próprio escritor e sua mulher doaram diversos livros e objetos pessoais para a Casa Museu Zenobia e Juan Ramón, onde hoje em dia se situa a sede da Fundação Juan Ramón Jiménez.

Sem nos afastarmos muito, chegamos até Fuentepiña, a casa de campo na qual o escritor gostava de se retirar para descansar e onde, segundo a novela, Platero foi enterrado. Para visitar o lugar de descanso da família Jiménez é necessário retornar ao cemitério de Moguer, que segundo palavras do próprio Juan Ramón é “o mais prodigioso, o mais universal de meu povoado”. Atrevem-se?